"Só mais um começo"


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Saturday, May 28, 2005

Desculpa, desculpem...

Não me apetece escrever Só me apetece a Ti! E não consigo escrever porque queria escrever para Ti e isso sei que não consigo, e nunca conseguirei porque a minha pena só serve para desabafar, e não é digna de escrever sobre e para quem quer que seja
Muito menos para e sobre Ti! Sei que por muitas vezes o tenho tentado fazer, em diversas situações e estados de espírito, a verdade é que para escrever para e sobre todos Vós que eu tanto gosto, a minha velha pena de cotovia, seca e partida nunca chegará!
Quem me dera! Tivesse eu uma pena doirada como me aprouvera, para agradar o todos Vós e consequentemente a mim, não faria eu outra coisa que não dar-lhe uso Assim, peço-Te desculpa porque não posso escrever, e peço-Vos desculpa a Vós sobre os quais e para os quais já escrevi pois nunca fui nem nunca serei digno de tal pretensão

E daqui para a frente tentar-me-ei enganar quando escrever, mas nunca a Vós, nem a Ti!

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Monday, May 16, 2005

Reflexo

Sentado à secretária vejo lá fora
Pela janela da qual observo o mundo
Silencio solidão paz e obscuridade
E penso por que raio estou eu aqui dentro

Afinal eu sou tudo o que vejo por esta abertura
E não percebo o que me torna diferente do que vejo
Porque afinal posso transparecer outra coisa
Mas nas minhas entranhas sou assim mesmo

Pelo reflexo do vidro apercebo-me que afinal
Estou mesmo lá fora, a olhar cá para dentro
Onde pensava que estava eu mas não sou eu
É apenas agúem que escreve sobre a minha vida

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Sunday, May 15, 2005

"Dez lamúrias por gole"

Assim, de vagar, de copo na mão,
Vou contando os minutos que faltam,
E as moedas que ainda sobram
Sem me importar com o que bebo…

Bebo, bebo sem razão aparente
Pois não há razão para me embriagar
Nem tão pouco posso justificar-me contigo,
Tu não mereces tal egoísmo!

Começa a fazer-se tarde, já são 6,
E os donos do bar querem fechar as portas,
Sou só eu e mais uns que resistem ainda.
Os outros riem, embriagados, e eu

Sozinho no meu canto do balcão,
De fino pousado na consciência
Também já começo a ter vontade de me ir embora
Pois não quero que me vejam neste estado…

Não por estar bêbado, não é isso,
Antes por não conseguir abrir os olhos,
Sem vontade de ver por mais tempo
O mundo que me joga ao chão a cada hora!

Mas algum dia hei-de ser alguém?
Não me parece que chegue a ser mais que Isto,
Esta coisa informe de corpo e alma
Que se arrasta pelos corredores da miséria.

E se algum dia me sorrisses,
Com aquele sorriso que só tu tens,
Então aí viveria de novo, mas feliz,
Orgulhoso de mim, de ti, do que me fazes sentir!

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Wednesday, May 11, 2005

Só mais um final

Curtos momentos depois de escrever por Ti
Pela primeira vez quando me desfiz de desejo
E quando pensava que eras Tu quem eu queria
Expectante em poder um dia acordar-Te
Quando ao meu lado repousavas depois de uma noite de amor
Eis que volto a escrever por Ti mas depois de perder toda a esperança

É um amargo de boca esta sensação acutilante que me perturba
Mais uma vez e tão pouco tempo depois do fascínio inicial
É estranho já não chorava há tanto tempo
E bêbado com tem sido uma constante nos últimos tempos
Que maneira dolorosa de acabar a noite que era de festa

Conheço bem este sofrimento que é coisa com que lido vastas vezes
Mas não me perguntes porque desta vez foi diferente
Tudo é diferente talvez por Tu não seres mais uma
E não percebo o porquê mas acho que estou a ficar cada vez mais adolescente
Mesmo quando me devia tornar num homem que a idade exige
Mas sinto cada vez mais o sofrimento a que esse sentimento que me despertaste obriga
E sofrer por amar não é digno de um homem

Não um homem como eu me estou a tornar
Sinto-me cada vez mais repugnante e inútil neste mundo binário
Mas eu fui feito para caminhar sozinho por esta estrada esburacada que se afigura a vida
E nem Tu nem ninguém merece desperdiçar tempo comigo
Porque sou um monstro sentimental e demasiado lamechas
E acabo depois de tudo jogado na lama fedorenta da tristeza

E Tu não devias ter alguém como eu a atravessar-se no teu caminho
Tu que na tua simplicidade de mulher fascinantemente rica por dentro
Podes passar ao largo de muitos olhares de desejo mas é porque não te conhecem
Pois não é fácil ser-se o alvo de atenção quando não se veste nem se produz como uma mulher letreiro
Cheia de adereços e carradas de roupas caras perfumes e outros cosméticos inúteis
Mas é nisso que Tu te distingues das outras simples e sendo tu própria
Desculpa tropeçar nos teus pés mas não foi por mal
Sou só mais um bêbado convalescente que se deixou apaixonar de novo
E quando procurava para a minha vida mais um começo
Acabei por descobrir mais um final
Choro quando estou sozinho e caem-me as lágrimas sobre o teclado velho
Ponto final

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Sunday, May 01, 2005

Cerveja para amar...

Mais um copo, mais uma paixão!
Estranha esta sensação, que
Embora ridiculamente preocupante
me delicía, pois nunca assim fui!

Lembra-me eu como era dantes,
Preso ao mesmo cais por tantos anos,
Apodrecendo nas águas calmas da marina
Que se afigurava para mim a tua presença...

Agora, solto as velas, e por mais que tente,
Atracar, parar um pouco, e abastecer a caravela,
não consigo deixar de me aventurar
nas aguas revoltas desta vida surreal e aleatória!

Hoje, embriegado como uma criança de mama,
Recostado na cadeira, allienado de todos,
Espremo as últimas gotas de sobriedade
Para te admirar, mais recente fixação...

E mesmo exposto, cravado pelos risos de indicador esticado,
Mesmo escondido no recanto empoeirado onde a vida me jogou,
Não me deixo perturbar pelo álcool que se me entranha nas veias
e limito-me simplesmente a olhar-te, pensando na vida...

2 de maio de 2005

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Sunday, March 13, 2005

Mata-me um pouco mais

Mata-me um pouco mais,
Faz-me sofrer mais um pouco,
Rouba-me mais um pouco de “vida”
Como se sugasses a seiva que me alimenta.

Como um cigarro, que fumo, necessariamente,
Perdendo-me entre o nevoeiro da indiferença
Que me relega cada vez mais para o mundo dos fracos,
Um após outro, destruindo-me, com satisfação...

Joga-me na caixa das peças usadas,
Para a sucata, de onde não sairão jamais,
Como sendo um homem descartável,
De consumir, usar e deitar fora!

Mata-me um pouco mais,
Berra bem alto que e não existo,
E quando ninguém já se lembrar de mim
Sorri, por fim, de contentamento.

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Do nada

Nada,
É o que passa pela minha cabeça agora...
Um punhado de nada,
Agoirando-me, preocupando-me, abestraindo-me de tudo.

Como se, ziguezaguiando pela rua, bêbado,
Olhasse para trás sem direcção, de olhar vazio, e
Procurasse encontrar alguém com que me preocupar,
Que me chamasse à razão e me levasse a casa...

Mas Nada me faz pensar agora,
E mesmo assim não consigo deixar de pensar
Em Nada, claro, ideias claras,
Claras como um charco estagnado na estrada abandonada.

E, se por alguma razão me fazem pensar
Destruindo a minha calmia, o meu sossego,
Fazendo-me duvidar por momentos
Jogo-me no meu canto, apavorado...

E se de curta existência já penei desse mal,
Durante tempo de mais, na verdade,
Não tenciono ficar confuso novamente
Por muito que na minha tristeza fosse o mais feliz, assim.

É bom sentir que te fasso sentir bem.
É bom saber como gostas de passar a noite comigo.
Mas, não me peças mais do que eu posso dar,
Não atires pedras ao meu calmo charco!

Porque estou feliz agora, com o meu nada,
A minha calmia natural, silenciosa e graciosa,
Que embala e me protege do mundo de estigmas
Onde nunca poderei “viver” como sempre quis.

E mesmo que não queiras saber o que penso
E te contentes com o prazer da carne que consegues,
Mesmo que me queiras prender a ti pra me poderes usar,
Não conseguirás destruir o que sempre cultivei

Como se da libertação de todos os pecados do mundo se tratasse.
E gozo agora, e perdendo-me sou feliz,
Mas não me peças para deixar para trás
O que sempre deixei fugir, a minha vida!

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Tuesday, March 08, 2005

"Só mais um começo"

Esqueci o teu nome,
Não me lembro do teu cheiro,
Já não vejo o teu sorriso quando
Fecho os olhos e sonho acordado.


As tuas recordações,
Pus para trás das costas,
Joguei no caixote das memórias gastas,
Onde o pó apaga o doce sabor da felicidade.


E, não me importo,
Porque foste embora, e agora,
Deixaste para trás tantos momentos bons,
Mas o sabor amargo da partida
Corrompe essas lembranças adocicadas…


E já nas estás comigo quando estou triste,
Não ris mais comigo quando estou alegre,
Não limpas já as lágrimas que choro
E, na tua ausência, fica um espaço em vazio.


Mas eu não consigo ficar sozinho,
E alguém espreita à janela do meu ser,
À espera que, sozinho, a mande entrar
E assim sorrir de novo, mas com ela.


E sou feliz assim, mais ainda,
Sem estar preso a ti nem a ninguém.
Sentir a brisa fresca da manhã na cara,
Deixar para trás uma noite melhor que a de ontem.


Como gosto de sair da cama molhada,
Lençóis impregnados do cheiro dela,
De amar, talvez, de outra forma,
E sorrir a seu lado, satisfeito.


E como fiz, quando partiste
E fiquei sozinho no meu canto,
quando um dia ela se for embora
será de novo “Só mais um começo”.